Ensino Híbrido na Escola

Personalização e tecnologia são características dessa abordagem pedagógica. Saiba o que é o ensino híbrido, conheça suas vantagens e como aplicá-lo para uma aprendizagem significativa.

Foto da escritora e educadora Michele Azevedo

Por Michele Azevedo – escritora, educadora e pós graduada em Psicopedagogia, Arte na Educação e Educação Especial

As mudanças na educação têm sido rápidas e bruscas. Implementar uma aprendizagem híbrida na escola é adaptar-se à essa nova realidade de transformações. Foi pensando nisso que trouxemos esse conteúdo, para te ajudar nessa jornada rumo à personalização do ensino e cultura digital na escola!

ilustração de um celular e balões de texto amarelo

As salas de aula tradicionais estão se tornando cada vez menos frequentes: novas tecnologias estão gradualmente substituindo-as ou complementando as atividades presenciais. Com a realidade da educação remota na pandemia, essa é uma tendência que veio para ficar pois possui muitas vantagens, e mesmo as instituições mais tradicionais podem experimentá-la de forma gradual. Nesse post você entenderá melhor (i) o que é o ensino híbrido, (ii) quais as suas vantagens, (iii) como aplicar em sua escola e (iv) seu respaldo pedagógico na BNCC.

O que é o ensino híbrido?

“Abra seu livro e leia o primeiro capítulo”. Essa é uma frase que você provavelmente já ouviu algumas vezes. Hoje em dia, essa frase poderia ser facilmente substituída por “Clique neste link e siga as instruções exibidas”. A primeira situação retrata um método clássico de aprendizagem. O segundo, um método mais moderno. O ensino híbrido (ou blended learning, em inglês) é justamente uma mistura entre eles – métodos tradicionais de aprendizagem (presencial) e métodos modernos (online).

Mais do que essa mescla online e presencial, o modelo de ensino híbrido pressupõe que o aluno tenha mais autonomia. Essa abordagem permite maior respeito às particularidades de cada educando, dando mais respaldo para o professor compreendê-las e intervir de forma mais individualizada na mediação do processo de aprendizagem.

A educação ou ensino híbrido é caracterizada por uma combinação aberta de atividades de aprendizagem que podem ser oferecidas pessoalmente, em tempo real e remotamente, em modo síncrono ou assíncrono.

A implementação do ensino híbrido exige o questionamento de algumas especificidades para a escolha das modalidades mais adequadas para os objetivos de aprendizagem, organização e planejamento.

Funciona para todas as etapas do ensino?

A configuração do ensino híbrido na escola requer a facilitação do acesso às ferramentas digitais para evitar a exclusão. Na educação infantil, por exemplo, é preferível favorecer o equipamento à família, pois o aluno ainda tem autonomia limitada e precisa ser apoiado no uso de tecnologia digital, a fim de adquirir as competências necessárias para seu uso informado e responsável.

No ensino fundamental e médio, a escolha do equipamento deve levar em consideração: idade dos estudantes, peso e funcionalidades dos equipamentos de acordo com as atividades desejadas. É essencial integrar nessas escolhas a questão da conectividade, mas também os acessórios essenciais (microfone headset para permitir que você trabalhe em atividades orais, teclado ou tablet, configuração de software profissional, entre outros).

Logo, o grau de autonomia dos alunos de acordo com sua idade é decisivo na escolha das ferramentas e métodos de trabalho (presencial / distância; síncrono / assíncrono). Isso é importante para garantir um manuseio seguro e consciente. Também é necessário garantir a acessibilidade de equipamentos e recursos para permitir que todos os alunos sigam os conteúdos curriculares à distância.

Você sabia que uma das competências da BNCC é a cultura digital?

O que a BNCC diz sobre o ensino híbrido

A Base Nacional Comum Curricular busca garantir que a educação tenha como papel principal o desenvolvimento de valores e ações na formação dos estudantes, por meio de humanização. 

Nesse sentido, quando a BNCC fala de cultura digital, a intenção é que os estudantes dominem as mais diversas ferramentas digitais, fazendo o uso da tecnologia de maneira responsável e com senso crítico.

Competências Gerais da Educação Básica:

1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo […] digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.

Considerando, portanto, as competências gerais da BNCC, há a possibilidade de compreender e fazer uso das tecnologias digitais como uma fonte de informação e comunicação. A partir delas e através de espaços de aprendizagem colaborativa, oportuniza-se o desenvolvimento da autonomia, argumentação e empatia. Tudo isso, de acordo com a BNCC, deve estar incluso no planejamento e em todas as aulas das diversas áreas de conhecimento.

Os dois livros acima são ótimos exemplares sobre o tema do Ensino Híbrido pois auxiliam o educador a se empoderar dessa estratégia e compartilha boas práticas ao redor do mundo sobre o uso de tecnologias e personalização na educação (à esquerda: Ensino Híbrido, por Lilian Bacich, Adolfo Tanzi Neto e Fernando Trevisani. À direita: Blended, por Michael Horn e Heather Staker).

Vantagens do ensino híbrido

As principais vantagens da educação ou ensino híbrido são:

  • a possibilidade de superar as restrições de tempo e lugar;
  • a diversificação dos meios de comunicação que permite atender a todos os tipos de alunos e personalizar a aprendizagem;
  • o envolvimento de alunos que muitas vezes são mais ativos por causa das atividades oferecidas à distância;
  • uma melhoria na ancoragem da memória, graças à diversidade das atividades oferecidas;
  • uma renovação da avaliação (erro como parte do processo de aprendizagem).
Colaboração: grupos maiores

O aprendizado híbrido permite que você estimule o aprendizado de grupos maiores de alunos. Você começa ministrando o curso e, em seguida, oferece aos alunos conteúdo instrucional e dever de casa para que eles desenvolvam independentemente. Durante esse tempo, você pode ajudar os alunos que precisam de mais suporte. Este é o maior benefício do aprendizado híbrido.

Personalização: cada um em seu próprio ritmo

Os participantes podem trabalhar parcialmente em seu próprio ritmo. Assim, eles não precisam esperar por outros alunos se forem mais rápidos do que eles. Por outro lado, é possível respeitar o tempo dos alunos com maior dificuldade ou que carecem de mais tempo que os outros. A administração do tempo costuma ser um aspecto delicado ao estudar.

Redução de custos a longo prazo

O ensino híbrido pressupõe menos espaço necessário, menos tempo de deslocamento e, portanto, menos dinheiro gasto.

Engajamento: cultura digital e diversão

O aprendizado híbrido promove o engajamento dos participantes, a partir das metodologias ativas e maior profundidade dos temas propostos. Essa abordagem possibilita maior responsabilização por parte do aluno no processo, estimulando-o a ser o protagonista de sua própria aprendizagem.

As soluções da Kuau contemplam o sistema híbrido de aprendizagem, mesclando atividades mediadas pelo prof em sala de aula + estudo independente dos estudantes a partir de plataformas digitais.

Como aplicar na escola?

Não existe uma maneira exata e única de aplicar e descrever o aprendizado híbrido. Como este ensino é um método relativamente recente (apesar de muitos estudos teóricos pregressos), ainda não existe um método que tenha se mostrado mais eficaz do que o outro. H[a que se levar em consideração a motivação, idade dos participantes e contextos escolares para testar qual método funcionará melhor. Abaixo estão alguns exemplos de modelos de aprendizagem combinada.

Rotação por estações de aprendizagem

Alguns alunos recebem instruções de seus professores, outros trabalham em grupos e outros em seus computadores. Os alunos alternam e mudam de posição ao longo da aula ou do dia.

Classe aberta

Os alunos podem trabalhar em seus computadores e os professores podem ajudá-los. Embora pareça uma boa solução (as crianças adoram ficar na frente do computador), os professores precisam trabalhar sua motivação, sob o risco de se encontrarem na mesma situação como se estivessem dando a eles um livro e dizendo: “Divirta-se sozinho!”.

Deve-se notar, entretanto, que nem todos os alunos estão suficientemente motivados para seguir as instruções do computador por conta própria. Nesses casos, é necessário que um professor ou monitor esteja presente para supervisioná-los.

Sala de aula invertida

Espera-se que os alunos cheguem à aula já tendo assistido a vídeos ou outros tipos de instrução prévia. Fazendo isso em casa, eles conseguem pausar os vídeos, acelerá-los se não possuem muito tempo e, assim, trabalhar em seu próprio ritmo. Eles podem então fazer sua lição de casa e fazer perguntas em sala de aula, otimizando o tempo com o professor

Os vídeos acima explicam melhor os modelos de Estações de Aprendizagem e Sala de Aula Invertida (ou flipped classroom, em inglês), exemplos de ensino híbrido. Seu maior objetivo é fazer com que o estudante exerça um papel ativo no processo de aprendizagem!

Desafios do ensino híbrido

Atentar-se aos riscos da evasão é ainda mais importante no caso da educação à distância. Os alunos devem ser fortemente motivados e, para apoiar a implementação da educação híbrida, é necessário criar perguntas de forma sistêmica, com respostas que podem variar de acordo com os contextos locais: maturidade digital do público e organização de aulas no que diz respeito às restrições e desafios de aprender remotamente.

Podemos destacar alguns desafios dessa transição para que sua escola se atente e planeje a hibridização do ensino de forma mais realista e adequada ao seu contexto. Podemos dividir esses desafios em duas categorias:

  • socioemocionais – diz respeito aos comportamentos e atitudes que devem aos poucos ser desenvolvidos nos educadores e educandos e;
  • pedagógicos – focados na integração curricular e pressupostos das abordagens metodológicas.
Desafios socioemocionais

A aplicação da educação híbrida questiona uma das missões essenciais da escola: aprender a conviver. É essencial que a parte presencial promova interações colaborativas e que a cultura escolar contribua para o desenvolvimento da cooperação e co-construção. Habilidades orais também devem ser foco nesses momentos presenciais.

Outro destaque é o perfil do educador que conduzirá o ensino híbrido. É muito importante olhar além dos conteúdos e se atentar conscientemente para a intencionalidade pedagógica. É necessário criar um ambiente em que as pessoas trabalham de forma colaborativa, produtiva, autônoma e possam entender o erro como parte do processo. O educador, portanto, tem papel importante na co-construção dessa cultura de comunidade de aprendizagem.

Conhecer as competências socioemocionais para aplicá-las ao ensino híbrido é um importante diferencial para compreender o que é a intencionalidade pedagógica e sua influência na aprendizagem significativa para o aluno.
Desafios pedagógicos

É importante adequar essa aprendizagem ao grau de autonomia dos estudantes, pensando sobre o papel do aluno – Ouvinte? Participante? Colega? Esses questionamentos são ponto de partida para diferenciar conteúdos e atividades, disponibilizar conteúdos adequados, promover sua apropriação, apoiar o aprendizado, manter o envolvimento e avaliar regularmente o impacto das escolhas educacionais sobre a qualidade da aprendizagem.

Outra ponto fundamental é avaliar o modelo tradicional de aula expositiva ao aplicar o ensino híbrido na escola. A reprodução dessas práticas convencionais são apropriadas para uma aprendizagem híbrida? É pertinente manter as mesmas metodologias tradicionais? O modelo que estamos habituados e o ensino híbrido são congruentes? Até que ponto?
Esses questionamentos são necessários para que a aplicação deste ensino híbrido seja efetiva!

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Uma educação híbrida positiva auxilia o estudante a desenvolver autonomia, autodisciplina e responsabilidade – é a aprendizagem centrada no aluno.

Dicas para sua escola

A verdade é que não existe uma “receita de bolo” para aplicar o ensino híbrido na escola. Um dos aspectos positivos dessa metodologia é a sua personalização, pode-se customizar sua implementação de acordo com o contexto da sua comunidade escolar.

Entretanto, apesar de não existir uma fórmula mágica, já existem algumas boas práticas que podem nortear a aplicação do ensino híbrido. Algumas dicas são:

  • construir simultaneamente tempos presenciais e remotos para garantir articulação relevante entre atividades e conteúdos;
  • estabelecimento de rituais, como no presencial (ex. chamada, acolhimento, retomada ao final da aula…);
  • apoiar os alunos (mentoria) durante as aulas à distância e garantir clareza das instruções – em particular para o 1.º grau para permitir aos pais acompanharem o filho;
  • entender a necessidade de levar em consideração a capacidade de aprendizagem e autonomia dos alunos em tal contexto;
  • apoiar os alunos não apenas cognitivamente, mas também nos aspectos socioemocional, motivacional e metacognitivo;
  • levar em consideração a nova aprendizagem não formal ou experiencial.
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