Psicologia Positiva na educação

A educação abrange estudos de muitas áreas do conhecimento, principalmente ao olhar para o discente de forma integral. Conheça a contribuição da Psicologia Positiva para a escola.

Foto de Helena de Carvalho, autora do post

Por Helena de Carvalho – Supervisora de Atendimento na KUAU

Queridos educadores, a equipe da KUAU está sempre em busca de conhecimento e referências científicas alinhados à BNCC que contribuem para o desenvolvimento integral de adolescentes. Para agregar aos nossos produtos e materiais, realizamos estudos internos sobre Psicologia Positiva no contexto escolar e compartilhamos um pouquinho do nosso aprendizado com vocês!

livro aberto com coraçoes e o escrito bem grande: educaçao positiva

A educação de qualidade incorpora, além da Pedagogia, estudos de outras áreas do conhecimento como as Neurociências, Psicologia, Design e Comunicação, por exemplo. A Psicologia Positiva é uma dessas fontes importantes quando falamos de educação transformadora, que considera o estudante dentro de uma perspectiva integral. Nesse post você conhecerá (i) o que é e de onde surgiu a Psicologia Positiva, (ii) os benefícios de incorporá-la à sua prática pedagógica, (iii) seu respaldo legal através da BNCC e (iv) algumas dicas para aplicar seus fundamentos na escola.

Psicologia Positiva não é positividade tóxica

O movimento pela Psicologia Positiva teve início em 1998, quando o psicólogo Martin Seligman assumiu a presidência da American Psychological Association (APA). Segundo Seligman, a ciência psicológica vinha negligenciando o estudo dos aspectos virtuosos da natureza humana. Ele acreditava, então, que a ciência da experiência e do comportamento humano deveria incluir, também, o estudo de seus aspectos positivos.

Estudiosos da área entendem que se deve explorar as qualidades das pessoas junto com os seus defeitos. Ao defender esse foco nas qualidades, de forma nenhuma, pretende-se diminuir a importância da dor associada ao sofrimento humano. Esse movimento não implica em condenar o “resto” da Psicologia como negativo. Ao contrário, seu objetivo não está em negar o que é ruim, o que vai mal, ou o que é desagradável na vida dos seres humanos, porque reconhece a existência do sofrimento humano, das situações de risco e das patologias. Entretanto, pretende investigar a outra face dessas questões.

“O objetivo da Psicologia Positiva é começar a catalisar uma mudança no foco da psicologia: da preocupação somente com o reparo das piores coisas da vida para a construção, também, de qualidades positivas”.

Seligman e Csikszentmihalyi (2000)

O florescimento de pessoas e organizações

A ciência e a prática da Psicologia Positiva estão direcionadas para identificação e a compreensão das qualidades e virtudes humanas, bem como para o auxílio às pessoas para ter vidas mais felizes e produtivas. Dessa forma, ela é compreendida como o enfoque científico e aplicado da descoberta das qualidades das pessoas e da promoção de seu funcionamento positivo.

A descoberta e o conhecimento das forças e virtudes poderiam propiciar o “florescimento” (flourishing) das pessoas, comunidades e instituições. De acordo com Keyes e Haidt (2003), “florescimento” é entendido como uma condição que permite o desenvolvimento pleno, saudável e positivo dos aspectos psicológicos, biológicos e sociais dos seres humanos.

Pode-se dizer que uma pessoa está florescendo quando percebe que sua vida está indo bem: ela está se sentindo bem (mais emoções positivas do que emoções negativas), funcionando bem (realização de seu potencial individual) e vivendo uma vida com propósito (fazer o bem). O florescimento inclui, fundamentalmente, os seguintes domínios:

  • emoções positivas (alegria, gratidão), 
  • engajamento positivo (interesse, curiosidade), 
  • realização positiva (buscar e alcançar resultados significativos), 
  • propósito positivo (contribuir com a comunidade, ajudar outras pessoas) e
  • relações positivas (habilidades sociais e emocionais).
O trabalho com as dimensões citadas acima contribuem para o processo de florescimento de aluno e professores nas escolas, por exemplo.

Psicologia Positiva aplicada à educação

Existe uma mudança de paradigmas na qual as escolas passam a ser vistas como instituições cujo papel não se limita à formação em termos acadêmicos, mas se estende para desenvolver e preparar as crianças e os jovens como um todo (Huitt, 2010). Isso vai ao encontro das propostas de Educação Integral e de aprendizagem por competências, que não tratam apenas do desenvolvimento intelectual. 

O reconhecimento das virtudes humanas ajuda a prevenir ou diminuir os prejuízos causados pelas patologias, pelo estresse e pelas doenças. Assinala-se que a Psicologia Positiva pretende contribuir para o florescimento e o funcionamento saudável das pessoas, grupos e instituições, preocupando-se em fortalecer competências ao invés de corrigir deficiências.

“Indivíduos que estão florescendo aprendem de forma eficaz, trabalham de maneira produtiva, têm melhores relações sociais, são mais propensos a contribuir com sua comunidade, e têm melhor saúde e expectativa de vida” (Huppert & So, 2009, p. 1).

A proposta pedagógica da educação pautada na Psicologia Positiva terá por base a formação integral e integrada do estudante, tanto nos aspectos cognitivos quanto nos aspectos socioemocionais, baseando-se nos seguintes pilares: aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser. Uma educação bem sucedida passa a ser assim considerada quando também promove o crescimento pessoal e o desenvolvimento positivo dos estudantes, como indivíduos e como cidadãos do mundo, abordando a existência humana de forma integral.

Educação Positiva: uma educação transformadora

A aplicação dos conceitos psicológicos positivos no contexto escolar é o que chamamos de Educação Positiva. Ela considera o desenvolvimento das competências socioemocionais, entendendo o estudante enquanto um ser humano integral, para além da dimensão cognitiva.

O movimento da Educação Positiva tem contribuído para uma visão mais equilibrada e completa da vivência humana, e para a compreensão de como e em que condições as emoções, características e instituições positivas promovem o florescimento. A Psicologia Positiva está, pois, em pleno processo de expansão dentro da ciência psicológica, a qual possibilita uma reavaliação das potencialidades e virtudes humanas por meio do estudo das condições e processos que contribuem para a prosperidade. 

banner que apresenta material gratuito da oficina online sobre educação positiva na escola

O Projeto de Vida e a Psicologia Positiva

O Projeto de Vida, ancorado na Psicologia Positiva propicia o encontro do jovem consigo mesmo, trabalhando positivamente sua identidade, autoestima, autocuidado e autodeterminação, a partir de seus interesses e potencialidades. Ele oferece  caminhos para o desenvolvimento da resiliência, do otimismo e da aprendizagem por meio de erros e frustrações.

Além disso, promove no aluno reflexões sobre propósitos, objetivos pessoais e coletivos, valores, bem-estar e definições subjetivas do que é o sucesso para ele. O Projeto de Vida, dessa maneira, foca nas virtudes e forças do aluno, nas capacidades para resolução de problemas e no desenvolvimento e aprimoramento de competências.

As intervenções que objetivam a construção de capacidades e forças (Projeto de Vida + Psicologia Positiva), em oposição à abordagens que visam aliviar problemas ou corrigir déficits, são inerentemente atrativas aos profissionais da educação, devido a seu foco construtivo e holístico

Espiral que ilustra a metodologia do projeto de Vida - contemplando as dimensões: Quem eu sou, Quem eu quero ser e Meu papel no mundo
As dimensões trabalhadas no Programa de Projeto de Vida da KUAU estão intimamente relacionadas à filosofia da Educação Positiva, que visa o florescimento dos indivíduos.

O autoconhecimento como objeto pedagógico

Ryff e Singer (2003) afirmam que o funcionamento positivo humano é mais evidente em contextos de mudanças significativas repletas de situações de risco e de adversidades. A análise da resiliência favorece a compreensão das forças humanas, ou seja, quando ela se expressa, as virtudes e as forças pessoais tornam-se conhecidas. O conhecimento das forças pessoais e das virtudes produz efeitos importantes na vida dos indivíduos, uma vez que favorece suas potencialidades, tornando-os mais fortes e produtivos. 

Dessa forma, ao tomar conhecimento dos aspectos positivos, as pessoas possuem melhor capacidade para lidar com eventos difíceis, tornando-se, assim, agentes ativos na superação da vulnerabilidade e do risco. Os adolescentes estão, naturalmente, mais expostos a comportamentos de risco, uma vez que se encontram em uma fase de transição, de desenvolvimento identitário e de busca por pertencimento, ampliando, assim, suas referências nesse processo. 

Estudos apontam, ao longo das últimas gerações e no mundo inteiro, um crescimento dos índices de depressão, ansiedade, distúrbios alimentares, abuso de substâncias, entre outros problemas de saúde mental ou física, especialmente entre crianças e jovens. 

Desse modo, as escolas não só oportunizam o florescimento psicológico, social e acadêmico de seus estudantes, como respondem aos crescentes índices de sofrimento psicológico e doença mental entre crianças e adolescentes, e à necessidade de abordar a questão da saúde mental de maneira mais proativa e preventiva. Intervenções realizadas em prol do bem-estar, no ambiente escolar, têm papel preventivo com relação aos índices apontados acima. 

O Programa da KUAU prevê o desenvolvimento das competências socioemocionais enquanto auxilia o aluno na construção de seu Projeto de Vida

Inovação e metodologias ativas que levam o aluno a construir seu Projeto de Vida e que o educador tenha ferramentas para fazer isso acontecer são objetivos da KUAU. Estudantes, pais e educadores podem acompanhar o desenvolvimento a partir dos recursos didáticos disponíveis.

Balao e bandeirinha da KUAU com o escrito Saiba mais
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