Mapa da Empatia na escola

Nossa oficina demonstrou, na prática, um ponto de partida pedagógico para iniciar o plano de acolhimento socioemocional de educadores, alunos e famílias

Por Marina Damasceno, educadora e gerente de relacionamento na Kuau.

Em nosso terceiro encontro online, aprofundamos a prática pedagógica da aprendizagem socioemocional a partir de uma abordagem totalmente mão na massa! Disponibilizamos uma ferramenta poderosa para o acolhimento socioemocional de educadores, alunos e famílias para superar esse momento de crise, transformando-o em oportunidade de aprendizado.

Livro ou caderno aberto, com corações saindo a partir dele

Este post apresenta um resumo do que foi apresentado em nossa oficina online sobre Acolhimento e Empatia na escola. Com um caráter totalmente prático, discutimos com nossas convidadas sobre a importância de conversar sobre o contexto que estamos vivendo com toda a comunidade escolar, promovendo uma Agenda Positiva na escola. Para isso, aplicamos ao vivo uma ferramenta pedagógica chamada Mapa da Empatia. Ela é importante porque demonstra a técnica por trás da aprendizagem socioemocional para que profissionais da educação, além de psicólogos, consigam incorporá-la à sua prática pedagógica.

Não será um retorno como outro qualquer

O mediador e CEO da KUAU, Gilber Machado, iniciou a oficina falando sobre a falta de controle que temos sobre o retorno das aulas presenciais, mas reiterou a importância de planejar esse momento.

Nesse cenário, além de todos os protocolos sanitários, reorganização de carga horária e calendário escolar, é urgente também abordar a questão emocional e psicossocial de todos da comunidade escolar. Não será um retorno comum, como uma volta das férias. Por isso, não abordar esses aspectos da pandemia e seus efeitos na comunidade escolar é um erro, não somente sob o ponto de vista social, mas pedagógico também.

Para contribuir na aplicação do Mapa da Empatia, convidamos 3 educadoras para compartilhar experiências. Que tal compartilhar essas ideias com outros educadores?

Acolhimento socioemocional na escola

Não é novidade para nenhum educador que as emoções interferem no aprendizado e estamos vivendo um momento oportuno para atestar isso. Outro ponto importante que corrobora para a presença das socioemocionais na escola é o fator vivencial da crise.

Quando o aprendizado acontece de forma ativa, a partir do que vivenciamos e discutimos com os demais, fica mais fácil absorver conceitos abstratos e subjetivos como o da empatia, por exemplo. As três educadoras convidadas, Isabela Toledo, Renata Nogueira e Vitória Normandia foram unânimes ao destacar o papel fundamental da empatia no que concerne ao contexto escolar e as relações sociais envolvidas nesse ambiente.

Imagem: Planejativo
Imagem baseada na Pirâmide de Aprendizado atribuída a William Glasser. Diversos estudos sobre Neurociências apontam que as metodologias ativas de aprendizagem contribuem para maior apreensão de conhecimentos.

O que é o Mapa da Empatia

O Mapa da Empatia foi originalmente criado como uma ferramenta de Marketing para compreender melhor o contexto, as emoções, aspirações e necessidades de clientes. Adaptado ao contexto escolar, ela traz muitos benefícios para compreendermos melhor um aluno, educador ou responsável, auxiliando na tomada de decisões e priorização curricular.

Benefícios diretos da aplicação do Mapa da Empatia na escola: (i) redução da ansiedade, (ii) fortalecimento de vínculos, (iii) engajar equipe e (iv) criar canal de escuta qualificado (com alunos, educadores e/ou famílias).

O Mapa da Empatia (modelo para impressão aqui) possui 6 quadrantes que, quando preenchidos coletivamente, permitem uma análise completa do sujeito em questão, como uma investigação. Cada quadrante aborda um aspecto importante para melhor compreensão da pessoa para, de fato, conseguirmos nos colocar em seu lugar e exercitar a empatia. Os quadrantes são:

  • O que ele FALA e FAZ – atitudes, comportamento, atividades e hábitos, como se expressa;
  • O que ele VÊ – na sociedade, na internet, na mídia tradicional, na escola, na família, no mercado, com os amigos;
  • O que ele OUVE – da família, amigos, professores, influenciadores;
  • O que ele PENSA e SENTE – ideias, valores, motivações, emoções recorrentes;
  • Quais são as DORES – preocupações, medos, frustrações, angústias, obstáculos;
  • Quais são os OBJETIVOS – sonhos, propósitos, desejos, necessidades, medidas de sucesso.

Outro ponto importante a ser destacado é que a aplicação do Mapa da Empatia na escola é uma abordagem pedagógica, e não terapêutica. Esse entendimento é fundamental para não vincular a escola apenas a um espaço de `desabafo coletivo`, mas também a um local de acolhimento, de proposição de ações para superação de desafios e refletir sobre perspectivas futuras.

Imagem com fundo laranja e a citação de Antônio Carlos Gomes da Costa sobre Projeto de Vida: ``O caminho entre `quem eu sou` e `quem eu quero ser`.`` Ao lado, representação visual da metodologia KUAU para o Projeto de Vida: além das dimensões citadas anteriormente, acrescentamos ``O meu papel no mundo``
Estimular a reflexão sobre o Projeto de Vida nesse momento é dar espaço para uma Agenda positiva em relação ao futuro: repensar prioridades, compartilhar vivências e exercitar a escuta empática

Como fazer

O Mapa da Empatia é uma atividade flexível, podendo ser realizada no contexto da educação remota e/ou presencial, de forma mais descontraída, por meio de uma conversa ou algo mais formal. A melhor forma é aquela que se adequa ao seu contexto escolar. O que importa é ter bem definido o perfil da pessoa em que o Mapa da Empatia será construído. Para um processo de aprendizagem socioemocional estruturado, dividimos a oficina em 3 etapas.

Esquema visual que mostra a sequência linear das etapas para aplicação do Mapa da Empatia: i) Perfil e Narrativa; ii) Mapa da Empatia; e iii) Acolhimento

I. Perfil e Narrativa

No caso da nossa oficina online, as convidadas tiveram acesso prévio a um perfil fictício do aluno Mário, que contava com sua Narrativa pronta, para otimizarmos o tempo do evento. A ideia da primeira etapa, portanto, é começar a entender o contexto do outro, seus hábitos, comportamentos e situação familiar para, depois, adentrar em questões mais pessoais – que serão abordadas no Mapa da Empatia.

Para que o Mapa da Empatia seja construído de uma forma verdadeiramente empática, e não através de “achismos”, a etapa prévia de Perfil e Narrativa é muito importante. Só assim poderemos, de fato, “mergulhar no outro”, diminuindo nossa carga de julgamentos.

II. Mapa da Empatia

A partir do Perfil e Narrativa delimitados, começamos a etapa de construção do Mapa da Empatia propriamente dito. Na oficina online, cada uma das educadoras foi dando suas contribuições para os quadrantes.

Após cada uma dar sua contribuição, elas chegaram a um consenso das 3 características mais marcantes de cada quadrante. Para entender melhor a dinâmica, sugiro assistir a partir do minuto 22:30 da gravação. O resultado final do Mapa segue abaixo.

Esse é um exemplo do Mapa da Empatia construído a partir do Perfil e Narrativa do Mário – aluno fictício. A próxima etapa pressupõe uma reflexão baseada no Mapa pronto.

III. Acolhimento

O mediador nesse momento instigou as convidadas a refletir sobre o que cada uma delas poderia dizer ao Mário. Essa pergunta é necessária para motivar o grupo para a ação. Nesse momento, a convidada Isabel Toledo pontuou: “Eu levaria uma palavra de esperança a ele porque o adolescente não é muito de enxergar o fim da crise, até adultos tem dificuldade de compreender que toda crise tem um fim”. E, para finalizar a oficina, a proposta agora é responder a seguinte questão:

Agora, você é o Mário: o que gostaria que fizessem por você?

Em resposta a essa pergunta em nossa oficina, a educadora Vitória Normandia disse “Se eu fosse o Mário, eu gostaria de ser ouvido, de forma bem ativa, para realmente entenderem as minhas necessidades e o que eu mostro através das minhas atitudes”. Essa resposta exige um poderoso exercício de empatia. Através dela, os participantes de fato estão convidados a se colocar no lugar do outro. Não é sobre o que você faz pelo outro, mas o que o outro gostaria que você fizesse por ele!

Empatia, do grego: PATHOS emoção, sentimento”, EN-, “para dentro”.

A ideia é estar dentro do sentimento alheio.

É muito importante a discussão sobre a diferença entre as duas perguntas anteriores. Parece uma diferença sutil, mas são dois paradigmas completamente diferentes. Ao se colocar no lugar do Mário e, então, refletir sobre o que ele gostaria, exercitamos o projetar-se no outro, o “vestir a roupa do outro” – isso é muito mais profundo e transformador, e objetivo da atividade.

Não precisa ser psicóloga para ouvir

Nosso evento online foi finalizado com um esquema que consolida a lógica em que foi construída a oficina e estrutura a aprendizagem socioemocional – identificação, significação e ação. A psicopedagoga Renata Nogueira reiterou: “Essa ferramenta é incrível pois segue uma trilha de forma consciente (…). Percebam que não precisa ser só um psicólogo para ouvir seu aluno. Tendo essa ferramenta clara, olha quanta informação você consegue tirar desse aluno e, o mais importante, se conectar com ele. É uma técnica!”

A última etapa da oficina é a que determina seu caráter propositivo e otimista. A ideia é propor sugestões de ação, a partir da realidade e narrativa específicas do sujeito.

As demais convidadas acrescentaram que, muitas vezes, os educadores se sentem inseguros ao abordar essas questões. Tendo a consciência dessa técnica, por exemplo, já é possível realizar um incrível trabalho de escuta ativa com seu público. Outro ponto levantado é que o resultado, os insights que surgem a partir dessa oficina, fazem mais sentido quando esse exercício é feito de forma coletiva.

Planeje agora

Esse exercício é bastante flexível, podendo ser utilizado com diferentes públicos, formatos e contextos (de forma remota ou presencial). A direção escolar pode executá-lo com os funcionários da escola ou educadores em momento formativo; os professores podem usá-lo como uma atividade com os alunos, ou a coordenação pode sugerir a prática em reunião de pais, por exemplo.

Além disso, diversos Perfis e Narrativas também podem ser explorados. Para saber mais como construir perfis adequados ao contexto da sua escola e compreender em detalhes o passo a passo da oficina, faça o download gratuito do nosso ebook.

Fundo amarelo com corações e com os dizeres: ebook - Material gratuito - Baixe agora

Para acompanhar as nossos próximos eventos online, inscreva-se em nossa newsletter:

Inscreva-se em nossa newsletter




2 comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *